22 de set. de 2009
Várias cores,
Tamanhos, odores, idades...
Aquelas que deixam saudades
Aquelas que causam espanto

Pra todo lugar que se olha
Em todo canto
Seguindo mato adentro
Dentro daquele convento

Tem em academia, supermercado, padaria
Em buteco, borracharia, churrascaria
Na previsão do tempo
Quando se anda de avião...
Hoje até em caminhão

Umas rodam feito corrimão
Tem "neguim" que passa a mão
Tem "neguim" que passa não

Uns encontram muito cedo
E não dão sussego
Já outros morrem de medo
Resolvem guardar segredo

Acompanham a história
Estão nos anais da memória

Causando dor e sofrimento
Alegria e esperança

Algumas se escondem tristes
Detrás da aliança
Embaixo da pança...

Já teve a que causou morte,
Guerra, desolação
Mas já teve a intocada
Que guiou revolução

Umas agente deseja,
Busca tamanho é o dia
Outras agente esquece
E deixa molhar na pia

Tem de graça na boate
Pra comprar lá na esquina

Antes era privilégio
De mulher-moça-menina

Homem mesmo não tinha!
Mais nesse mundo do cão
Inventaram a medicina
Que inventou o travecão


(Feita por encomenda como camisa da Ghambiarra)
Um belo dia Lineu
Acordou com a inchada torta e resolveu
Criar para si divisão

Foi invadir o quadrado
De quem estava largado
Comendo seu pão mofado

A coisa já estava armada
Uma tal revolução
-Que quase sempre dá em nada

Inventou hierarquia
Com Reino, Filo e Espécie
Que enquadrasse quem pudesse!

Mas o Verme de longe ouvia
Tão grande latrumia
Do pai da Taxonomia

Agora ele tinha nome,
Classe e regalia

De bicho da goiaba
Tornou-se invertebrado
E ganhou até família!

O Verme marcou reunião
Fez gráfico e planilha
Queria avisar o mundo

Tinha grupo seleto
Ia receber visita
De ilustre parasita

Mais de Rei nada não tinha
A ciência desalmada
Descosturou sua bainha

Picou sua grandeza em filos
E o Verme tão contente
Voltou a ser indigente

Saiu dos confins da terra
Armou seu povo pra briga
E preparou sua vingança:

"Se não posso ter grupo
Resta uma só esperança
Mudar do buraco escuro!"

E para cambiar a vida
Fez cirurgia conhecida
Passou a se chamar Lombriga

Mas por falta de opção
De lugar mais luxuoso
Acabou em buraco novo

Uma velha conhecida
Sempre bem abastecida
E por culpa de Lineu
O bom verme se perdeu
E foi morar na barriga

Biofrases

21 de set. de 2009
O mais forte é apenas aquele com maior número de fibras de actina e miosina.

O mais fraco é apenas aquele que não come proteína.

Vejo no espelhar do teu olho a magnificiência múltipla dos meus músculos hipertrofiados.

No hospital a morte veste branco.

Na porta do quarto 232: "Absolutamente ele morreu".

O atleta corre a maratona, meu sofá se cansa.

Torna o coração cheio - o nervo vago.

Sobe a saia da menina e a adrenalina.

Bater-cabeça não faz mal com plasticidade neuronal.

Anabolizante faz bem a saúde de quem vende ataúde.

Se a síncope é por mim, quem será contra?

Quantum

“Pudera ser um animal em pleno século XXI” - não diz muita coisa, mas em que século animal disse algo lógico? Lógico... No que permeia as definições filosóficas, ter lógica é no fim das contas dar sentido ao processo de forma que o objetivo seja alcançado com coerência.
Ou seria esse tipo de conversa íntima com meu “eu” animal só um guia nas minhas compilações existenciais ao recesso ideológico de uma frase sem fim?
Escrever assim sem rumo-ritmo-rima sempre foi uma pretensão do verme. Encontrei-o quando não quis; não se procura vermes por aí.

Entulho.

11 de dez. de 2008
O existir pelas coisas se define. Só a coisa é realmente viva. Sólida. Não é necessário perguntar... Tudo tem vida se tem uma direção.
Nada é apenas uma palavra.
Se a cadeira lhe serve como assento, está viva. Já a poeira vem sempre de fora, mas se permanece enche o saco.

Escrevinhando.

3 de dez. de 2008
Escrevinhando.
De forma inexplicável e sem método como tudo que vale, apenas escrever.
Descrever apenas emoções, estados de espírito que oscilem.
Terceira pessoa onisciente.
Deixar a barra sempre na linha vazia.
Absolutamente ele morreu.
Um dia antes das férias de dezembro.
Um barulho o acordou,
Repetiu-se:
A única coisa que me torna significante é o dia de amanhã.