E ao toque surdo dos dedos,
O espelho(denso) quebrou-se.
Ficaram os pedaços caídos...
Que passaram a refletir cem vezes:
A face do criminoso.
A parte interessante mora antes da fala.
23 de mar. de 2010
E por mais inquietante que fosse
E por mais palavras que dissessem
E por mais que confabulassem
O que os fazia amigos
Era o silêncio
E por mais palavras que dissessem
E por mais que confabulassem
O que os fazia amigos
Era o silêncio
Future
22 de mar. de 2010
O futuro é: distante
O futuro é: suave
O futuro é: doído
O futuro é: civilizado
O futuro é: ar-condicionado
Interno.
O futuro é: suave
O futuro é: doído
O futuro é: civilizado
O futuro é: ar-condicionado
Interno.
Em, com, chave.
Agarro o seu seio
E me ponho entre
A colcha e o colchão
Você me descobre
Levanta o lençol
Me joga no chão.
Eu grito de espanto
Sem esperar tanto
Me deito no canto...
E você me inspira
Eu te respiro,
Aí sim você pira
Devagar... põe a mão
Deixa roxa a minha coxa
Num refluxo de suspiros
Da minha, faz-se a sua
Respiração
E me ponho entre
A colcha e o colchão
Você me descobre
Levanta o lençol
Me joga no chão.
Eu grito de espanto
Sem esperar tanto
Me deito no canto...
E você me inspira
Eu te respiro,
Aí sim você pira
Devagar... põe a mão
Deixa roxa a minha coxa
Num refluxo de suspiros
Da minha, faz-se a sua
Respiração
Pernas.
Pernas, são elas
As donas da corrida armamentista.
Pernas, sempre elas
Carentes de um ismo
Afogadas nuas num abismo de saias.
Viva o pernismo!
Que nunca caia.
O pernismo nunca
Mas que caia a saia!
Se descobertas as pernas
Ficarão livres da ilusão
Da calça?
As donas da corrida armamentista.
Pernas, sempre elas
Carentes de um ismo
Afogadas nuas num abismo de saias.
Viva o pernismo!
Que nunca caia.
O pernismo nunca
Mas que caia a saia!
Se descobertas as pernas
Ficarão livres da ilusão
Da calça?
Mãos sobre a mesa.
15 de mar. de 2010
O tato indica
A farpa solta
A dor vem fácil
Uma pontada
Ligeiramente fraca.
Vejo meus dedos
Todos perfeitos
Na imperfeição que é
Ter dedo.
Lembro calado,
São minhas falhas;
Minhas fendas:
Superficiais.
A morte no início
Começa pelas mãos?
A farpa solta
A dor vem fácil
Uma pontada
Ligeiramente fraca.
Vejo meus dedos
Todos perfeitos
Na imperfeição que é
Ter dedo.
Lembro calado,
São minhas falhas;
Minhas fendas:
Superficiais.
A morte no início
Começa pelas mãos?
Imoralidade
Quando
Ao apagar o quadro
Ela mostra a axila
Seus dedos do pé
Tremem
No alto do salto
O corpo vacila
Conservo na sanidade
Meu olhar de monstro
Meio Bruxa Má
Meio Godzilla
Mordo forte o lábio
Sinto um gosto amargo
E o vibrar intenso da pupila
Ao apagar o quadro
Ela mostra a axila
Seus dedos do pé
Tremem
No alto do salto
O corpo vacila
Conservo na sanidade
Meu olhar de monstro
Meio Bruxa Má
Meio Godzilla
Mordo forte o lábio
Sinto um gosto amargo
E o vibrar intenso da pupila
Simplicidade?
Retornar ao quarto,
Depois do café.
Enganar o sol
- Se esconder do ar.
Inspirar as gotas
Do suor sozinho.
É pequeno o destino,
(Se eu controlo tudo)
Encolher os amigos,
Romper uma tarde
E dormir.
Há um marco?
Um espaço único?
Que o ser se encontre?
Sozinho?
Ensimesmado?
Interrompido?
Depois do café.
Enganar o sol
- Se esconder do ar.
Inspirar as gotas
Do suor sozinho.
É pequeno o destino,
(Se eu controlo tudo)
Encolher os amigos,
Romper uma tarde
E dormir.
Há um marco?
Um espaço único?
Que o ser se encontre?
Sozinho?
Ensimesmado?
Interrompido?
O caos que rasteja.
7 de mar. de 2010Todo ser que sobre a terra rasteja, do caos é filho, ao caos pertence.
Toda dádiva que à mesa se apresenta, é servida crua, ao paladar agrada.
Toda dor recolhida na alma, machuca os ossos, e nunca cala.
É isso. É.
A vida é isso, Úrsula:
Eterna dicotomia,
Emaranhado sinestésico de acasos,
Polvorosa de futilidade e suor.
É câmera que desdobra a figura humana,
Lente que aumenta a maudade da criança.
É pedaço pouco de matéria morta.
Soluço que vagueia nas horas...
A vida é, Úrsula:
Continuidade sabor creme dos deuses.
É selva, pedra e tambor;
É quarto, árvore e teto;
É falta de onde ir;
De onde estar;
De onde ser.
Eterna dicotomia,
Emaranhado sinestésico de acasos,
Polvorosa de futilidade e suor.
É câmera que desdobra a figura humana,
Lente que aumenta a maudade da criança.
É pedaço pouco de matéria morta.
Soluço que vagueia nas horas...
A vida é, Úrsula:
Continuidade sabor creme dos deuses.
É selva, pedra e tambor;
É quarto, árvore e teto;
É falta de onde ir;
De onde estar;
De onde ser.
A moral, as criancinhas e o pequi.
5 de mar. de 2010
O comportamento dito "moralmente aceito" é tema de divergência, luta armada (!), pré-conceito, conceito. Existe consenso? Claro. A sociedade em parte é isso, consenso moral. As criancinhas discordam - não faz mal, elas servem pra isso. Um exemplo central da moral? Sempre elas, as vestimentas (?); use-as ou deixe-as. Use-as sempre e deixe-as para serem lavadas. A sujeira incomoda o papa, não se esqueça. A moral do papa não é a moral criada pelo papa. A moral do papa é a moral com a qual o papa convive, concorda. O papa aqui não manda nada. Tudo bem, ele é chefe da igreja, comanda a instituição mais controladora da terra depois da pornografia. Então, suponhamos que participe indiretamente da moral dos outros, que é a sua, por fazer parte "dos outros". E o pequi? Fruta amarela. Impõe sua moral nas ruas. Colore as lixeiras. Empresta seu odor às massas (Grande frase!). Diverte os lábios, ativa a memória e tem espinhos. Essa parte dos espinhos entra no processo moral. A moral nata do pequi. Oferece seu sabor e impede-nos de mordê-lo. Barra o pressuposto da fome que "exige a destruição do apreciado" na metade. Moral também é isso. Fruta de moral, o pequi. A cor da moral: o amarelo. O comunismo é vermelho, a São Paulo é cinza, a paz é branca, o passado é negro, o céu é azul e a moral é amarela. Alguém discorda?
Abstraia e aleluia!
Arrume tudo!
Guarde nos armários.
Não é pecado, ponha a cruz na gaveta.
Olhe pro teto, tampe as rachaduras.
Não deixe a história te confundir...
Assim se fez o universo, arranjou-se.
Pense menos na sujeira, a poeira é seu início, lembra?
Tape os bueiros, a água arranjará suas galerias sozinha.
Faça um voto à castidade dos sonhos, conserve-os puros.
Tranquem na geladeira os filhos, antes eles não existissem.
Que alívio a solidão assistida por si mesmo.
Abstraia, e te observe do alto.
"Espectador da própria existência”
Guarde nos armários.
Não é pecado, ponha a cruz na gaveta.
Olhe pro teto, tampe as rachaduras.
Não deixe a história te confundir...
Assim se fez o universo, arranjou-se.
Pense menos na sujeira, a poeira é seu início, lembra?
Tape os bueiros, a água arranjará suas galerias sozinha.
Faça um voto à castidade dos sonhos, conserve-os puros.
Tranquem na geladeira os filhos, antes eles não existissem.
Que alívio a solidão assistida por si mesmo.
Abstraia, e te observe do alto.
"Espectador da própria existência”
Recesso
No tropeço que eu dei
Durante esse processo
De quase cair,
Entrei em recesso.
Pensei no chão perto
E ainda, na vida
Não tinha resposta, era isso!
A pergunta bateu na cabeça!
Eu poderia ter saltado a pedra.
Mudado de rumo, virado e saído.
Voltado calado e dormido.
Ah!, eu prefiro o tropeço,
Ao tédio.
Durante esse processo
De quase cair,
Entrei em recesso.
Pensei no chão perto
E ainda, na vida
Não tinha resposta, era isso!
A pergunta bateu na cabeça!
Eu poderia ter saltado a pedra.
Mudado de rumo, virado e saído.
Voltado calado e dormido.
Ah!, eu prefiro o tropeço,
Ao tédio.
Amor perfeito e risos.
Escondo todo o desprezo que sinto
E traço a certeza do amor perfeito
Sem pontos, vírgulas, defeitos
É raro, mas é possível.
Inspiro e prendo o ar
Deixo encher o peito
Apontam os mamilos:
É o mais perto que chego.
Fecho bem o olho esquerdo
Escondo com a mão o direito
Os dois lados escuros:
É amor com respeito.
Deixo um bilhete curto
No piso sujo do quarto
Espero que ela ache
E me ame.
E traço a certeza do amor perfeito
Sem pontos, vírgulas, defeitos
É raro, mas é possível.
Inspiro e prendo o ar
Deixo encher o peito
Apontam os mamilos:
É o mais perto que chego.
Fecho bem o olho esquerdo
Escondo com a mão o direito
Os dois lados escuros:
É amor com respeito.
Deixo um bilhete curto
No piso sujo do quarto
Espero que ela ache
E me ame.
Um, um.
Reflete a falta do que fazer: poema.
Reduz qualquer luz quadrada.
Janela, quadro, mesa, cabeça...
Reduz qualquer luz quadrada.
Janela, quadro, mesa, cabeça...
Prece.
Quem dera ao triste fim de um garoto.
Sofrido, machucado, em canto escuro,
Ah! Ouvir um som de rato do esgoto,
Tocando um tambor bem vagabundo.
É pouco, eu sei, é muito pouco.
É nada, é som de bicho, é som imundo,
Sou louco, eu sei que sofro, eu sei que tudo:
É parte, é muito pouco, é raso e fundo.
No meio o devaneio, o João, a Joanna.
Acabe, rasgue a roupa, pise forte.
Atrase, lave o cabelo, mude o corte.
Na trave com o goleiro, a bola, a morte.
Segure na mão do mestre, clame, chore.
Reclame seu destino de humilhado,
Quem sabe, quem nunca sabe, quem sabe e cala,
A fala quer de presente um namorado.
Esconda sua miséria no travesseiro,
Mas antes guarde um papel que prove tudo.
Gavetas, imagens santas e dias tortos.
É muco, é muro sujo, é o fim do mundo.
Sofrido, machucado, em canto escuro,
Ah! Ouvir um som de rato do esgoto,
Tocando um tambor bem vagabundo.
É pouco, eu sei, é muito pouco.
É nada, é som de bicho, é som imundo,
Sou louco, eu sei que sofro, eu sei que tudo:
É parte, é muito pouco, é raso e fundo.
No meio o devaneio, o João, a Joanna.
Acabe, rasgue a roupa, pise forte.
Atrase, lave o cabelo, mude o corte.
Na trave com o goleiro, a bola, a morte.
Segure na mão do mestre, clame, chore.
Reclame seu destino de humilhado,
Quem sabe, quem nunca sabe, quem sabe e cala,
A fala quer de presente um namorado.
Esconda sua miséria no travesseiro,
Mas antes guarde um papel que prove tudo.
Gavetas, imagens santas e dias tortos.
É muco, é muro sujo, é o fim do mundo.
Um, dois, três, aleluia!
Quando tenho pausa no velar da vida, reflito: procurar é sempre a chave pra encontrar aquilo que não se perdeu. Meu olhar procura a casca da ferida no tapete, encontra a lasca de madeira da cruz. Sem sentido como a água que flutua sobre o copo, absurdo como as curvas da luz. Se procuro em algum canto, ouço dentro o terremoto, falham as pernas, os sentidos. Um achado tão fantástico, mentido, sumido entre os frascos coloridos. São passos que o "se" há de dar.
- Onde você perdeu o senso?
- No inferno, quem sabe. Vai buscar?
- Onde você perdeu o senso?
- No inferno, quem sabe. Vai buscar?
Do "ir"
4 de fev. de 2010
Quando a palavra foge
Tudo em volta faz sentido
É um momento, um destino, um suspiro.
É talvez a morte perto,
Sem vento, grunhido.
...e vem à boca, quase pula,
E volta cansada,
E cala.
Tudo em volta faz sentido
É um momento, um destino, um suspiro.
É talvez a morte perto,
Sem vento, grunhido.
...e vem à boca, quase pula,
E volta cansada,
E cala.
Vera
Granulada e torta,
Forte e meio santa.
Fria. É concreta.
Nasceu pura e sem encanto.
Se soprar o vento ela não muda,
É sólida, plantada, firme.
Nunca vai embora...
É negra, é branca.
Tranqüiliza e apavora.
Alivia:
E mata.
Eu a escolhi.
A verdade, minha e sua.
Triste feito a morte.
Pilar púrpura da existência.
Inabalável: é ferro quente.
Insuportável: machuca.
Forte e meio santa.
Fria. É concreta.
Nasceu pura e sem encanto.
Se soprar o vento ela não muda,
É sólida, plantada, firme.
Nunca vai embora...
É negra, é branca.
Tranqüiliza e apavora.
Alivia:
E mata.
Eu a escolhi.
A verdade, minha e sua.
Triste feito a morte.
Pilar púrpura da existência.
Inabalável: é ferro quente.
Insuportável: machuca.
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