Um alguém chamado Zé

18 de out de 2009
De Vênus veio o Zé
Sem saber onde chegara
Perguntou: - Qualé?
Sem saber de onde ele vinha
Respondi : - Qual foi?
E brigamos

Zé era baixo como
Bem feio como
De cabelo duro como
Gordo (gordo) como
A maioria de nós é

Zé tinha tatuagem
Zé tinha dentes brancos
Zé tinha sapatos
Maiores que o pé

Tinha o olhar longe
Tinha vontade de ser monge
De ganhar na loteria
Isso o Zé sempre pedia

O Zé era gente fina
Conversava a noite toda
Bebia sempre que podia
E sempre que não podia

O Zé era
Um Zé ninguém

Nunca tinha trabalhado
Estudado ele já tinha
Nunca tinha namorado
Transado ele já tinha
Nunca tinha tido amigo
Essa parte foi comigo

Mas o Zé
Pensava como ninguém
Argumentava como ninguém
E ria de qualquer bobagem

Um dia, um belo dia
Aquele dia qualquer
Quando ninguém imagina
Morre de overdose o Zé

Zé-presunto desceu o rio
Desaguou lá no bem longe
E sumiu não sei pra onde
Vestia blusa de frio
Calça laranja e boné

Nesse dia ele partiu
E não desaguou no mar
Zé se prendeu num galho
E preso lá deve estar

1 comentários:

Joanna disse...

Largou a veia libidinosa pra adentrar em uma veia trágica... Valei-me, Freud!

Bjos!