Remédios, a bela.

20 de abr. de 2010
Minha doença sem cura.
Eu aceito que eu sou: por saber que não tem cura.
Não posso me curar de mim.
Adoeço porque sou. Sou eu.
Meu eu que ultrapassa seu "si mesmo".
Eu sou e sou o que sou.
Meu único antídoto é a morte.

Tetra Chave

Pela fresta:
Seu pé,
Suas pernas,
Sua testa.

Quem tem pé se cansa.

Solto o pé na quietude que têm o ar a três metros do chão.
Com o outro pé apoiado, levita um dos pés.
O outro espera.
Pé é isso: aguardar. Ter pé é poder esperar, arduamente, de pé.
Quem te pé se cansa.
Um pé a mais faz tanta diferença. À força de anomalias existe alguém com três pés. Eu não preciso ter visto pra saber. È extraordinário, mas não é isso. Um pé a mais faz tanta diferença. Na porta da porta eu recuo. Um pé a mais e eu entrava. Um pé a menos (?) e fico.
Ter pé é ter sobriedade, eu piso no chão e o chão faz parte de mim. Eu fecho os olhos e sinto o chão no pé. Sinto o chão no pé e sei que existe o chão e o pé.
"- Meu pé, meu querido pé". E sorrisos com um pé no ar.
Não.
Meu pé são dois.
Ter pé é ver o caminho por outro ângulo. De pé: noventa graus. Quem tem pé tem rumo. Quem têm mãos tem Deus.

Cada vez mais e cada vez mais.

12 de abr. de 2010
De dentro do não-sei-onde
Dormindo um sono de eras
Ela acorda em ronco-ronco
E localiza dentro do "Eu"
A existência do não-sou
Anuncia o (des)existe
No som calado do dentro
De repente, assombrado
O fígado palpita a bílis
E a boca cospe o acaso