Então vamos.

26 de jan. de 2010
Na fresta de borracha

Pequena como farsa

Espreme-se calada

É pedra.


Caminho da escola

Suor de testar bola

Na trave de concreto

É muro?


A pé é mais bonito

Tender ao infinito

Jogar pra frente, ir...

Escolher o caminho

Parar, olhar um ninho;

"É pardal, deixa aí.”

"Então vamos!”

Colheita.

25 de jan. de 2010
Eu escrevo pra juntar - de viver a gente já separa. O "objeto" do escrito é fragmento, não tem todo e nem é parte; parte é o inteiro separado. O fragmento - coitado, tá solto feito gato preto em telhado branco. Fragmento é o oposto de cimento. 
Juntar. É o que faço. A matéria (!) flutua e condensa na folha. Vira letra atrás de letra, pé de página, anúncio de vida, de morte; tão próxima: trecho, verso, vulto. Estanco o corte e deixo aberto, sangrar sempre fez parte - e o sangue flui da pele branca. E o branco da pele é vida, estranho isso...
O fim é o escuro, a memória que se fecha. Esquecida é negra, o menino não enxerga.
Escuridão é outra coisa: paraíso do Poeta, descanso, tinta preta.
E tento, persigo as coisas (sempre elas), catando pedaços, buscando uma massa consistente, há de ter liga essa vida!

Quero todos

19 de jan. de 2010
Hoje, quero mais do mundo em mim:
Cada pedaço solto no vento
Os que caem ao chão no correr e ficam.
Quero um muito que não seja fácil
Por pouco que pareça ser falta
De tanto que em mim guardo.
E os raios do sol, quero todos
Trancados em arder no peito.
Quero uma bacia de água morna
Pra lavar os pés dos estranhos
E as mãos de todas as mães.
Eu quero um monte de qualquer coisa
Transbordando em sentimentos
E se topo com alguém que queira livre
Sigo.
Hoje, eu quero mais do mundo em mim.

Coice.

E o amor foi-se.
Viver é chumbo!
Por cima de queda, coice.

Naftamor

Amor de naftalina:
Começa no nhenhenhem
Termina na novalgina.

Andar.

11 de jan. de 2010
Bloco de arame com cimento:
Concreto.
Pote de mármore: frio e feliz:
Vasilhame.
Reduz a luz do sol num qualquer círculo:
Bola.
Reflete a ponta torta do nariz:
Iz.

Enfim.

Desabafo:
Pedra, papel e tesoura.
Papel.
Pedra.
Tesoura.
E dói.

Verão

Cármen, ando pela sala
Sem pensar em rima
Digo, dessa estranha oxigenação
Que você insiste em ter com o ver
[ão

Junto, grudado e distante

6 de jan. de 2010
Abraço de rio comprido
Riso de lago quieto
Voando, cai perto
E se afasta na correnteza...
É distância de pedaço pouco
De certeza acabada no vento
É grude eterno-passageiro
É adeus breve de momento.

Seu Lixo

Pedaço imundo e sujo
De lixo do mundo imundo
Vasto mundo, tanto lixo
Tanto lixo, varre o mundo
Pro fundo, bem pro fundo
No convergir do "sem"
Tanto lixo, pouco mundo
Pouco fundo mundo tem