20 de out de 2009
Azul, verde, amarelo
Colar de dança havaiana
Um bezerro monta o outro
Vaca solta na pastagem
Se fosse macho seria
Indiscutível viadagem

Tantas vezes discutido
Suspirado com imagens
Sons de ronco, sacanagem
Flores, arranjos, véus
Mais ninguém canta o amor
Sentido na base do créu

Quanto ao significado
Do olhar de um amigo
Pode ser "muy" comum
Ou um tanto pervertido
Se o amigo é travesti
Com um lustre no umbigo

Ai!

Ai!
Grito dormente
De som suado de amor
Ouve-se em todo canto
E olha-se para ver
O motivo interjetivo
Que o fez aparecer
Se foi a unha encravada
Pisada sem querer
Ou o gemido da empregada
Buzinada sem saber
Ainda existe a remota
Mais viva possibilidade
De ter sido Mariana
Num suspiro de saudade

Negro, negro, negro

Foi um sim como qualquer outro
E o momento que define tudo
Ao redor rodava o vira mundo
E na cabana dormiam as crianças órfãs
As árvores sacudiam-se
O vento brincava com as telhas leves
Dobravam no ar a água e a luz dos raios
E o céu era negro, negro, negro
Se a pureza habitasse
O fundo do coraçãozinho
Eu diria que as luvas
Os anéis e candelabros
São melhores que os dias
Em que não abro a mão

O toque sem liberdade
O beijo desnecessário
A dor tingida de branco
E o pranto, e o pranto
E o grito, e o grito

Um acordar sem sentido
Um zumbido sem ouvido
Um tema distorcido
Um gemido no escuro
Sem saber, sem saber
O que há atrás do muro?

Poeminha 22 para deusinia

São as menininhas
Que vem me importunar
Quando mandam depoimento
Ou inventam convidar
A deusinha pra sair
A deusinha pra "rodar"
E não sabem tão burrinhas
Que pra casar com a deusinha
Eu tenho que :
Autorizar
Carimbar
Assinar
E se ao acaso
O caso não me agradar
Simplesmente não há
Simplesmente não há