Coragem / Covardia

30 de dez de 2009
Da pedra morta, atirada
No rosto torto da vida
Só sobra a coragem calada
A sombra da face vencida
A única certeza é a coca-cola.
Natal, sempre a mesma coisa de sempre.
Só muda a namorada do primo.

Poeminho meta

Da letra marcada na folha
Da palavra trivial, colada, morta,
Pulsa a luz impenetrável.
E da mente semi-aberta
Saltam as fibras da cor.

A sorte da gota no escuro.

A gota no escuro lamenta sua sorte. Tão próxima do limbo, primo-irmão da morte. Sôfrega sente e camufla sua dor miserável. É afável o destino que a cerca, a faz secar, ser mancha. Sem cor, sem vida.

Sombra

Achasse que fosse o que era.
“Um intelectual de merda?”
Que seja o que era sem achar que era (ou que fosse).
“Um intelectual de merda?”
Independente do que era, que exteriorizasse.
“Exteriorizar a intelectualidade?”
A merda mesmo!

Carona

Andei a pé
Até onde deu
Agora pego carona
Pra apressar o passo
Um dia eu baixo.
Levo um mundo em meu umbigo
É divertido ser egoísta
Carregar em si um “tudo”
Mesmo que seja pouco.
O pouco que em mim levo
É muito pros seus cílios
É fibra morta, eu sei
Mas é fibra minha, fibra solitária.
Um dia eu canso e paro
Chamo isso de morte.