Eventos

27 de nov de 2009
A memória é objeto
De um evento ocorrido
Pode vir da torneira que pinga
Ou do pingo da consciência que resta
.
A memória é criada, procria e se estabelece
Quando se precisa ela desce...
Do pedestal da saudade.

De onde vem a lembrança
Daquilo que ocorreu
No meu sonho de criança?

Ela existe e machuca;
Desespera e avança...
Eram as agulhas, me lembro
Vindo de todos os lados
Um quarto branco e quadrado
Com linhas em novelar eterno
Ao redor de tudo um lago,
Um amanhacer e o inferno.

Urso

José gosta de mel
Sapateia de tristeza
Quando seu cigarro acaba
Vai-se junto a beleza
Sua mãe quando menina
Deixou a sopa na mesa
E morreu...
José sobreviveu;
E nem você, muito menos eu
Iremos entender
O problema do porque
Do José
Não gostar de sopa

A parte

A parte interessante
É a parte que releva
Responde com silêncio
Apaga.

A parte que morde.
Que vai embora cedo...

A parte que leva os pedaços,
Guardados dentro de si.

Que não fala que ganhou
Um anel de diamantes.

A parte que de mim esconde.
E que o todo sente calada.
A parte interessante,
Vive antes da fala.